Eu choro
Eu tenho coisas só minhas, eventos só meus, e nessa minha solidão aproveito para olhar as pessoas ao meu redor, bem dentro dos seus olhos, e mesmo no dia-dia, em reuniões, em almoços, e simplesmente não gosto do que vejo.
Alguns ainda se safam e conseguem deixar uma fresta, uma pequena abertura para o íntimo, para a sinceridade da alma. Mui poucos.
Na grande maioria o que vejo é ganância, um pensar em mim antes, coisas que não me são comuns.
Eu escuto rock, samba, jazz, reggae e até funk.
Não suporto hiphop, pagode de merda e sertaneja.
Eu torço para o Palmeiras, e simplesmente acho os corintianos insuportáveis pela sua arrogância escrota, e por serem a personificação de Gérson. Mas admiro a fiel torcida que dá show do outro lado do morumbi.
Isso é tolerância, é saber que não se ganha sempre, que se joga, e que não estamos aqui só para levar porrada.
Mas ao olhar na maioria dos olhos veja um cansaço incomensurável, um ar de esgotamento, uma desilusão de dar dó.
Eu me lembro de olhar nos olhos dos peixes quando mergulhava, e via coisas mais belas.
Eu olho meus filhos e vejo felicidade e vida, mesmo quando choram.
E eu, quando choro, transbordo não a tristeza ou a emoção do momento. Choro tudo que não sinto e o que sinto, choro a indignação com os humanos, e com a escrotidão dessa raça humana de merda que não consegue dar a vez, pedir licença, ou mesmo desculpas.
Eu choro pela merda que vivemos, e pelo pior que será no breve futuro.
Eu choro por ter conhecido o amor, e por ter deixado dar frutos. E por absolutamente não ter controle sobre isso.
Eu choro pelos toscos e desavisados, que esquecem de se desenvolver, de crescer; e que só pensam no dinheiro.
Dos diminutos que pensam que a vida passa rápido.
A vida não passa, a vida está aí há tempos, e continua.
Quem passa somos nós, numa viagem só de ida.
A volta, é tudo o que você realizou.


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