11 junho 2007

Orson Welles ou pelo amor dos meus filhinhos

Hoje ocorreu algo definitivamente esclarecedor na minha curta porém simpática e agitada vida de publicitário.
Apenas 69 anos depois de OW fazer sua transmissão radiofônica que gerou um pânico alucinante outro vem, faz a mesma coisa, e ainda assim consegue gerar a mesma comoção, só que desta vez aqui em terras cucarachas.
A Citroen vai lançar um modelo novo chamado Pallas e fez uma publicidade simulando conteúdo em alguns portais comunicando o choque do suposto Asteróide Pallas com a Terra na 2ª quinzena de Junho. E pronto.
Pronto se não fosse a chuva de e-mails de ameaça de processos, de pessoas passando mal, ataques do coração, jornalistas reproduzindo a notícia e confirmando o fim do mundo, infográficos e roteiro do que fazer antes do Apocalipse.
Panacéia.
Para mim ficam algumas lições importantíssimas, listadas abaixo:

- chega a ser constrangedor o nível que a imprensa brasileira alcançou; vários sites reproduziram a matéria sem checar a fonte;

- é de se espantar que mesmo ao falar com o topo da pirâmide social do país [internet tem penetração nas classes A e B] ainda assim sofremos com tamanha burrice e despreparo do povo para ler, entender e refletir a respeito da dita grande mídia. EU penso que isso ocorre pela falta de aulas de interpretação de textos quando pequenos;

- é no mínimo estranho as agências ainda tentarem ''enganar'' o consumidor; recentemente tivemos "The Uncles" e o desdobramento foi parecido.

Enfim, o mundo mudou, poucos entenderam, e por isso mesmo temos que ter paciência.

A discussão pode ir para muitos lados, da falta de ética dos veículos em divulgar publicidade tão nefasta....... [eu colocaria nesse bolo cerveja, remédio, todo produto para criança, gordura trans, carne de vitela], enfim, o caso aí vai muito para o background pessoal, formação, moral, e julgar isso nos outros é complicado, e entendo.
Uma vez na OnMedia fizemos banners agradecendo a Zizuz pela conexão alcançada e a Liga das Senhoras Católicas reclamou em 10 minutos.
Para isso existe o Conar, que vai julgar e quando sair o resultado a campanha já será um case de fracasso ou sucesso, tanto faz.
Agora o maior perigo aqui [e é o que usualmente acontece] é medirmos o fato com uma régua rasa e pobre, e decidirmos que sim, todos somos brasileiros cucarachas e devemos morrer com o arroz-feijão.

Em resumo, o que fica é que perdemos todos, a agência e o cliente a oportunidade de fazer uma campanha bem legal, os veículos por serem penalizados por veicular publicidade [que se não sustenta ajuda bastante e no dia que isso acabar estaremos todos nas mãos do governo sem isenção e seremos uma Venezuela talvez?] e os internautas em geral por mostrarem mais uma vez [para mim pessoalmente falando] que realmente nesse país a burrice é endêmica.

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